sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Anúncios com muito ou pouco texto?


Há um consenso entre o pessoal da comunicação de que os brasileiros leem cada vez menos e por isso mesmo os textos publicitários deveriam ser extremamente enxutos.

Na contramão desta "verdade", minha agência produziu, ainda na década de 1990, o anúncio acima para uma pequena agência de viagens em São Paulo. Como a empresa jamais havia se promovido através de uma divulgação profissional, julgamos que teríamos de fazer uma espécie de "apresentação" dos seus serviços. Eles já haviam negociado espaço de uma página em uma revista de pequena tiragem que circulava no bairro do Itaim. (Esses fechamentos diretos eram muito comuns quando se tratava de empresas pequenas).

Surpreendentemente, no mesmo dia em que a revista foi distribuída com o anúncio publicado, um cliente entrou na loja, sentou-se frente ao diretor e perguntou se tudo o que lá estava escrito era verdadeiro. Ao receber a confirmação, o cliente fechou um pacote de cerca de US$10 mil em viagens e serviços, prometendo voltar para comprar outros pacotes destinados à sua família.

O anúncio deu excelentes resultados para a agência de viagens, mas acabou deixando no ar aquela velha polêmica: os textos publicitários devem ser bem explicativos ou apenas enxutos?

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Memória: realizações da Julio E. Bahr Propaganda

Eis um dos "cases" de marketing publicitário preparados e criados por minha agência de propaganda, que foi muito bem sucedido. 

Nosso cliente à época, a Sifco S.A., fechou contratos de fornecimento de forjados para a Fiat Automóveis quando ela se instalou no Brasil e, exatamente no dia 9 de julho de 1976, a planta da montadora era inaugurada em Betim.


Naquela manhã, os maiores jornais do Brasil (Estadão, Folha de São Paulo, O Globo, Estado de Minas) publicavam o anúncio acima desejando as boas-vindas à nova empresa.


A diretoria da Fiat ficou bem mexida com a mensagem que, com toda certeza, colaborou para o estreitamento das relações comerciais com a Sifco.


Não custa lembrar: na década de 1970 ainda não havia computadores com programas gráficos e as criações e execuções eram elaboradas na prancheta.


Várias ações deste gênero foram desenvolvidas por minha agência para a Sifco, que começamos a atender ainda em 1969, pouco tempo depois do início das atividades ligadas à indústria automobilística. Lá pelo final da década de 1970 a Sifco passava a figurar entre as 100 maiores empresas brasileiras.


No começo da década de 1990 a Sifco S.A. foi vendida para a Acesita, que possuía um departamento de propaganda próprio, deixando de ser nosso cliente. 

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Recebendo bônus por cada ligação

A operadora de telefones móveis inglesa Comwiq decidiu oferecer um bônus de 2 pences (cerca de 10 centavos de real) para cada ligação recebida pelos seus usuários. A fórmula de comunicar a promoção não foi das mais usuais...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

O comercial é de 2009, mas inimitável


Este comercial da Honda empregou dezenas e dezenas de peças do carro modelo Accord e provavelmente semanas de preparação para que os mínimos detalhes se encaixassem perfeitamente no transcurso da filmagem. Além da exibição na tevê, mais de seis milhões e meio de pessoas acessaram o YouTube para apreciar a criatividade.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Sim, este é um belo roteiro... para uma grande desculpa


Este comercial ganhou o Leão de Ouro em Cannes, 2010. Para quem imagina que é difícil escrever um roteiro para um comercial... sim, aqui está a prova. É difícil mesmo. O comercial só não explica se o marido acreditou nessa história.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Anti propaganda

Eis um exemplo da anti propaganda em um estabelecimento comercial, no caso uma farmácia popular. Note que o cartaz com os nomes dos medicamentos está fixado muito abaixo da linha de visão do passante, o que faz com que ele seja obrigado a se ajoelhar no chão para ver quais medicamentos estão à venda e a quais preços.
Como a maioria dos compradores de medicamentos em farmácias populares são idosos, exigir que se abaixem é o mesmo que falar alto e bom som: não adquiram medicamentos nesta farmácia. 
Talvez, na verdade,a farmácia esteja mais interessada em vender produtos cosméticos do que medicamentos. Pelo menos é o que mais se vê nas prateleiras.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Comercial da Sapporo Beer

Os japoneses também gostam de cerveja: veja só este comercial da Saapporo Beer, produzido com belos efeitos visuais - mostra todo o processamento da fabricação da cerveja de um jeito que só os japoneses sabem fazer...

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Tá difícil o seu cliente aprovar a campanha?

Se o seu Departamento de Criação não anda trabalhando a contento... há sempre outra grande sacada para aprovarem a campanha da sua agência. 
Toni Ramos e Danielle Winits explicam... 

terça-feira, 28 de julho de 2015

Comerciais divertidos da DHL


DHL é uma empresa de envio de encomendas; aqui,  dois comerciais muito bem produzidos e bem-humorados.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Na hora de evitar um infarto

Comercial de aspirina, depois de um susto sem tamanho

sábado, 11 de julho de 2015

Traição conjugal... quem traiu quem?

Pois é... na Alemanha alguns comerciais são bem mais agressivos. Este incentiva as pessoas a frequentarem o teatro.

Etiquetas colantes


Quem se lembra do DYMO, aparelhinho com que se preparavam etiquetas colantes? Pois ele se modernizou... e a publicidade também.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Garotas disponíveis?


Outra patinada do governo e da agência de propaganda responsável: pretendendo criar um comercial mostrando as bobageiras que se cometem quando as pessoas (neste caso, um rapaz) enchem a cara, transformaram a garota Aninha numa simples “mulher-objeto”, disponível para qualquer um que queira beijá-la… e tudo o mais. Nota zero para este comercial!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Outro comercial de cerveja nota zero


Sim, a nova safra de "criadores" publicitários parece que perdeu o senso do "simancol", do ridículo.
Provavelmente haverá gente que achará este comercial da Itaipava "engraçadinho". Mas esta é mais uma produção de extremo mau gosto, uma demonstração de absoluta falta de ideias, chegando à beira do pornográfico.
Não que eu seja um puritano - quem o é, hoje em dia? - mas teria vergonha de propor um comercial desta laia a algum cliente.
Já imaginou o "criativo" deste comercial chegar em casa, chamar sua filha adolescente e perguntar a ela: " Filhinha, o que você acha deste comercial que seu papai criou"?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Mini-carro: vantagens e desvantagens

 

O Smart For Two escancara neste comercial suas desvantagens: ele não é nem um pouco competitivo fora dos centros urbanos. Mas na hora de encontar uma vaga para estacionar, é imbatível. Poucos comerciais gostam de divulgar as desvantagens de um produto. Não foi o caso deste.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Um comercial muito especial para mim


Eis um comercial que possui um significado especial para mim. Foi produzido em 1957 pela Dória Associados Propaganda, cujo escritório estava localizado no último andar do Edifício CBI na Rua Formosa, em São Paulo. 


O criador e Diretor de Arte deste desenho animado foi o italiano radicado no Brasil, Mário Lantana. Uma das características de Mário era desenhar as figuras com apenas quatro dedos em cada mão. E eu, ainda bem jovem, fiz parte da equipe de artefinalistas dessa produção. 

O ponto de partida era a trilha sonora: cada figura do fotograma precisava ser desenhada de acordo com o texto ou a canção, coordenando os movimentos labiais e corporais. 

Naquela época pré-computador, cada fotograma era previamente desenhado em papel transparente, que possuia dois furos-guias, para ser encaixado em uma prancheta. A prancheta era a base para todo o processamento posterior. Em seguida, os artefinalistas (como eu) copiávamos os desenhos-traço sobre um acetato, à nankin. Desenho feito, o acetato era invertido e nas suas costas eram pintadas as cores das roupas, mãos, corpo, produto, etc., à guache. Esse processo parecia uma linha de produção: os acetatos iam passando de mão em mão pela equipe de artefinalistas, um pintava a blusa com determinado tom de cinza, outro pintava a saia com outro tom mais escuro, outro o terno, e assim por diante. 

Este desenho animado do Leitesol foi produzido em preto-branco e utilizamos várias tonalidades de cinza, além dos traços pretos. A etapa seguinte consistia no acabamento do comercial, filmado quadro à quadro sobre o fundo. Este comercial, se bem me lembro, incorporou mais de 1000 desenhos de figuras, desenhadas e pintadas uma à uma e levou cerca de cinco meses para sua conclusão.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Do que eu escapei!

O Daily Mail, jornal chinês, nos deu conta de que um publicitário chinês de 24 anos morreu após uma jornada fatigante de trabalho, em Pequim.

Li Yuan trabalhava na agência Ogilvy & Mather China. Segundo o jornall, o publicitário estava trabalhando até as 23 horas todos os dias, há um mês. No dia do colapso, ele teve um ataque de choro por volta das 17h (horário local), caiu e teve um ataque cardíaco fulminante. Levado ao Peking Union Medical College, ele já chegou em óbito.
 
Para quem acha que a profissão de publicitário é apenas glamurosa, com os homens sempre rodeados de mulheres lindas, circulando com carrões, roupas de grife e posando nas fotos de colunas sociais, esta historinha chinesa está colocando os pontos nos is. Eu mesmo perdi a contagem de quantos e quantos dias estiquei o trabalho até as primeiras horas da madrugada seguinte para terminar campanhas de clientes; quantos chás de cadeira tomei aguardando um cliente prepotente me atender em sua sala de mandonismo; de quantos congestionamentos enfrentei no pesado trânsito paulistano, angustiado para não chegar atrasado a uma reunião; de quantos “chapéus” financeiros sofri dos maus pagadores; de como foi difícil enfrentar a inflação desenfreada que dominava o Brasil, corrompendo nossos ganhos e fazendo o faturamento virar pó, dificultando inclusive o pagamento de salários dos funcionários; de quantas campanhas foram criadas à-toa, descobrindo que éramos apenas os bois de piranha para justificar o trabalho de outra agência já previamente escolhida (tipo cunhado do presidente da empresa).
 
Publicidade não é para os fracos. Além de criatividade, ideias, arrojo, coragem e capacidade de realizações, a profissão exige físico e mente muito fortes. Ou se sucumbe exatamente como o infeliz chinês Li Yuan.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Embalagens ilusionistas


Adoro cappuccino! Semanalmente lá vou eu em busca de um potinho para matar minha vontade.

Mas, ó desilusão: o conteúdo do produto em pó é muito menor do que a embalagem. Falta um bocado do produto para preencher os espaços vazios. Aí parei para pensar a respeito: alguns produtos provavelmente exigem uma área maior dentro da embalagem por causa de possíveis expansões, dilatações ou fenômenos explicados pela física, tipo mudança de temperatura ou mutações causadas no transporte.

Porém, cappuccino em pó? A maioria dos potes produzidos por fabricantes diferentes têm o mesmo tamanho – e todos eles indicam o mesmo peso do conteúdo: 200g. Então, como explicar que sobra tanto espaço dentro dos potes (vide foto, clicada logo após a abertura da embalagem)?

Provavelmente alguns produtos estão lançando novo modismo: para não chamarmos essa artimanha de embalagens enganosas, prefiro chama-las de embalagens ilusionistas. Elas fazem parecer que existe muito mais produto dentro do pote. Tipo artimanhas do falecido Houdini. Ou do atual Dynamo.

É uma pena. Quando a gente passa a se sentir um trouxa, geralmente mudamos de hábitos. Creio que está na hora de trocar minha vontade de tomar cappuccino por outro vício qualquer. Só para não me sentir enganado.